domingo, 18 de abril de 2010

ZE LANDIM E O FESTIVAL DE VIOLA


GOVERNO FEDERAL / MINISTÉRIO DA CULTURA PREMIA PROJETO FESTIVAL DE VIOLA PARA ENCONTRO DE GERAÇÕES JUVENTUDE E MESTRES VIOLEIROS EM NOVA VENÉCIA - ES.
A Juventude e os Mestres Violeiros de Nova Venécia - ES serão homenageados com o Projeto FESTIVAL DE VIOLA. Uma iniciativa dos Violeiros Zé Landim (Mestre) e Rodrigo (Aprendiz), que juntos beneficiarão os jovens interessados neste gênero musical popular.
Através de Oficina de Iniciação Musical em Viola ocorrerá a troca de experiência e será uma oportunidade para o registro histórico da memória musical das gerações tradicionais da Moda de Viola.
Além de promover um encontro de gerações, será promovida a difusão dos talentos através de um encontro não competitivo para reconhecimento dos talentos e aprimoramento de Mestres e Jovens Violeiros.
O Projeto FESTIVAL DE VIOLA objetiva incentivar a implementação de políticas públicas para a juventude em vulnerabilidade social, através de ações de formação continuada para desenvolvimento local. Além de uma oportunidade para a juventude descentralizar a política de fomento da produção sociocultural e artística, possibilitando que artistas, grupos artísticos e produtores tenham incentivos para a realização de seus projetos na Região do Semiárido Capixaba.
O Projeto FESTIVAL DE VIOLA foi premiado nacionalmente pelo GOVERNO FEDERAL / MINISTÉRIO DA CULTURA através do EDITAL PROGRAMA MAIS CULTURA DE APOIO A MICROPROJETOS CULTURAIS, (Regulamentado pelo Decreto nº 6.226, de 04 / 10 / 2007), promovido através da SECRETARIA DE ARTICULAÇÃO INSTITUCIONAL - SAI, Fundação Nacional de Artes – FUNARTE, Programa Mais Cultura, BANCO DO NORDESTE, Instituto Nordeste e Cidadania, SECULT-ES, para os municípios integrantes da REGIÃO DO SEMIÁRIDO CAPIXABA.
As Oficinas serão gratuitas a jovens de 17 a 29 anos, que desejarem trocar experiências com a linguagem da Moda de Viola. O projeto será implantado através de parcerias estratégicas com órgãos públicos, empresas e comunidades organizadas. Em breve com a conclusão das atividades iniciais, serão abertas inscrições para a juventude, com divulgação dos dias, horários e locais. Mais Informações através do Tel.: (27) 9899-8042. (27) 9951-9050. Assistência de Produção e Intercâmbio: Armando Mecenas. ASPROD/02

sábado, 10 de abril de 2010

“Porque falar em Faxina Étnica”


O racismo é uma prática social com efeitos perversos na vida de bilhões de seres humanos espalhados pelos cinco continentes do planeta (sejam povos originários, afro-descendentes, árabes, ciganos, judeus, orientais etc). A prática do racismo é estrutural e apoiada pelo estado e por seu aparelhos ideológicos (meios de comunicação, igreja, escola etc) no sistema social e político capitalista. O racismo brasileiro tem uma face institucional e militar: a faxina étnica. Esta política de faxina étnica define – para negros, “pardos”, “morenos” e “mulatos” – quais são os territórios em que podem viver e a forma como devem viver. Favelas, periferias, subúrbios e alagados não fenômenos que revelam, no território urbano, a unidade entre capitalismo e racismo, entre classe e raça.
O processo de racialização do espaço urbano foi (e ainda é) extremamente violento e complexo. Como primeiro fator, temos a política de extermínio e genocídio que nomeamos de extermínio direto e extermínio indireto. O extermínio direto é materializado nas ações do estado contra moradores destes territórios. É uma violência estatal e não social como a provocada pelo tráfico de drogas. Já, o extermínio indireto ocorre através da morte lenta nas filas dos hospitais por falta de socorro e tratamento adequado, nas enchentes e tragédias naturais causadas pela omissão do estado e da defesa civil, os surtos de dengue e outras enfermidades que incidem majoritariamente na população negra e pobre.
Ambas as formas de extermínio (direto e indireto) tem como base esteriótipos racistas que se reproduzem através destas ações. Quando a polícia do estado assassina um morador de uma favela – ao invés de protegê-lo – diz-se que se tratava de um “marginal” (que é representado como um descartável, ou seja, um elemento anti-social sem condições de ser reintegrado a vida em sociedade). O suspeito-padrão da polícia é negro, “moreno”, “pardo” e “mulato”: não importa como esteja vestido, onde esteja e o seu comportamento – apenas pela cor de sua pele – já é considerado suspeito. Quando não o matam, o constrangem (através da violentas batidas policiais) que tem o objetivo de mostrar ao negro “qual é o seu lugar”.
Por outro lado, as imagens reproduzidas pelos jornais e televisão das filas dos hospitais, dos que morrem por falta de tratamento e atenção, dos que têm suas vidas, móveis e casas totalmente perdidos por catrástofes naturais etc, não causam nenhum tipo de indignação: são naturalizadas. Naturalizar é afirmar que estas tragédias tratam-se de fenômenos que não podem ser impedidos pela ação humana. Estas imagens são relacionadas à tragédia que segue há mais de cinco séculos os afro-descendentes, tomados por uma “coletividade amaldiçoada” que não consegue superar seus problemas por seus próprios esforços.
Por fim, associam-se os territórios de maioria negra à tragédia e a violência como elemento naturais e reeditam o racismo biológico que estabele a relação direta entre cor da pele e comportamento social. O racismo transforma, desta maneira, os problemas sociais e raciais dos moradores das favelas, periferias, subúbios, alagados e bairros pobres – de maioria negra – em problemas de ordem moral, psicológica e biológica. Para comprovar sua tese, o estado burguês e racista tem a necessidade de encarcerar os negros e pobres, ou seja, mostrar ao conjunto da sociedade que, de fato, são elementos perigosos e, por conseqüência, é necessário pôr sobre controle e vigilância permanente os territórios de maioria negra.
Como segunda manifestação da faxina étnica, apontamos o encarceramento em massa da população afro-descendente (em enorme desproporção se comparadas a população branca). As cadeias brasileiras parecem-se enormes navios negreiros, depósitos de carne humana em que se inscreve na pele negra sua associação necessária com o crime. É impossível fugir ao estigma da raça: a prisão é a instituição consagrada para controlar a pressão social e racial do proletariado urbano e rural. Logo, se associa o criminoso ao seu lugar de origem: ele vive na favela, tem amigos na favela, se comporta como um favelado etc. Raça, território e criminalidade confundem-se em uma coisa só: se é negro e favelado, necessariamente é criminoso. Com isso, o encarceramento contribui para definir os territórios negros urbanos: trata-se de uma malha de ruas, casas e barracos que unem negros “marginais” ou em processo de “marginalização”.
Como terceira manifestação da faxina étnica, apontamos as políticas de remoção e despejo. Se uma coletividade negra vive, de forma precária, em uma área valorizada pela especulação imobiliária ou de um novo empreendimento imobiliário, o estado age de forma violenta para expulsá-la deste território. Com isso, empurram os negros para longe do centro e dos bairros nobres, de maioria branca, em que só podem visitar na condição de empregados domésticos ou prestadores de serviço.
Estamos convencidos que, nos dias atuais, de desindustrialização da economia e recolonização do pensamento social brasileiro, em que o imperialismo penetra com mais força e violência em nossa sociedade, o racismo – fenômeno associado a ordem social burguesa – manifesta-se com toda sua intensidade no território urbano.
Para a vanguarda social combativa do movimento negro, dos movimentos populares e forças progressistas, contribuir para politizar o conceito de território negro urbano: ele pode ser uma ferramenta poderosa de afirmação dos afro-descendentes que vivem nestas áreas com o objetivo de fazer um contraponto as representações racistas que associam o território em que vivem à criminalidade, ao vício e a ausência de produção artística e cultural.
Por tudo isso é necessário falar em faxina étnica. Denunciá-la e combatê-la é dever de todos os que se identificam com o povo negro e suas aspirações de liberdade e reconhecimento coletivo. Para nos contrapormos a este processo de faxina étnica é necessário um conjunto de políticas públicas que tenham como marco uma cidade racialmente mais justa e integrada. Enquanto, nos centros urbanos de nosso país, pequenas faixas do território urbano, de maioria branca ou totalmente branca, monopolizarem os equipamentos públicos (melhores escolas, hospitais, centros de comércio, lazer, recreação, produção e difusão cultural) em detrimento da enorme massa negra desasistida e esparramada em territórios em que o único equipamento público é uma unidade da polícia, estaremos muito longe de solucionar este problema.
Autores: Gilberto Batista Campos e Marco André.

A RODA DO SOL

É a velha roda do Sol e o sacrifício propiciatório se dirige ao Rei Sol, da mesma forma que sacrifícios humanos e de animais eram oferecidos para a fertilidade da terra. A roda do Sol é uma idéia arcaica, talvez a idéia religiosa mais velha de que se tenha conhecimento. Podemos atribuí-la às era mesolítica e paleolítica, como o provam esculturas da Rodésia. A roda realmente só apareceu na idade do bronze; no paleolítico ainda não fora inventada. A roda do Sol rodesiana parece ser contemporânea de pintura de animais muito naturalísticos, tais como o famoso rinoceronte e os caracaraís, obra-prima de observação. A roda do Sol rodesiana é, portanto, uma visão original, provavelmente a imagem solar arquetípica. Mas tal imagem não é natulaística, pois se encontra sempre dividida em quatro ou oito partes.
Essa esfera de centro dividido é um símbolo que pode ser encontrado ao longo de toda a história da humanidade, bem como nos sonhos dos indivíduos que vivem no mundo atual. Podemos presumir que a invenção da roda originou-se mesmo nesta visão. Muitos de nossos inventos se originam de antecipações mitológicas e de imagens primordiais. A arte da alquimia é a mãe da química moderna. Nossa mentalidade científica partiu da matriz de nossa mente inconsciente.
O homem sobre a roda é a repetição do motivo mitológico grego de Íxion, que por causa de suas ofensas aos homens e aos deuses, fora por Zeus amarrado numa roda que girava sem cessar.
C.G. JUNG proferiu em 1935 na Conferência em Londres (Fundamentos de Psicologia Analítica. 2008 Editora Vozes. 14ª edição. p.34 e 35)

sexta-feira, 26 de março de 2010

Lindo, reflitam!

Meu amigo Mecenas,

Este e um presente para seus leitores.
Reflitam.

Abraços,

Michele


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segunda-feira, 2 de novembro de 2009

EPISTEMOLOGIA - INTRODUÇÃO A LÓGICA DAS CIÊNCIAS, UMA REFLEXÃO SOBRE O PENSAMENTO CIENTÍFICO


EPISTEMOLOGIA - INTRODUÇÃO A LÓGICA DAS CIÊNCIAS, UMA REFLEXÃO SOBRE O PENSAMENTO CIENTÍFICO - CONCLUSÃO.

Popper abre o debate sobre o “antagonismo do conhecimento e ignorância, a tensão da relação saber e não-saber”. Faz distinção entre a origem do conhecimento, – observações – problemas. Com os saberes democratizados, acredito que a apropriação do conhecimento transforma a teoria científica em patrimônio da sociedade. A apropriação dos saberes não ocorre apenas com a produção do conhecimento científico por especialistas, é um fenômeno complexo que requer um debate aprofundado e especializado na busca de meios de construção da ciência, do conhecimento e da Escola que desejamos. A construção de uma ideologia crítica que seja voltada para a humanidade, objeto concreto do conhecimento. A ciência parte do problema para a solução, origem do conhecimento cientifico esta na tensão entre o saber e o não-saber, o que gera a descoberta do saber e suposta realidade, segundo Popper.

Popper critica a metodologia observacionista de Bacon e nos alerta que não há teoria isenta de crítica. A refutação de uma teoria indica a objetividade das ciências e objetividade do método crítico para a solução de “problemas”. E mesmo que provisoriamente, esta teoria gera novos conhecimentos ao resistir às críticas. (POPPER. 1992 p.73)

Karl Popper (1992 p.77) também considera errado a objetividade da ciência de estar dependente da objetividade do cientista, é a critica ao relativismo histórico e sociológico. A posição social ou ideológica do investigador é insignificante porque “a objetividade cientifica encontra-se na tradição crítica, permite muitas vezes criticar um dogma dominante”, e argumenta ainda Popper:

“a objetividade da ciência não é uma questão individual dos diversos cientistas, mas antes uma questão social da crítica recíproca, da divisão de trabalho, amistoso-hostil, dos cientistas, da sua colaboração mas também das guerras entre si. “ (1992 p.78)

Mesmo com os desafios das tradições científicas, para Popper, (1992 p.79) o que é importante para a ciência é o caráter de distinção entre os interesses científicos pela verdade. Embora para o autor seja impossível dissociar dos interesses extra-cientificos. Observo que há um abismo, o que impulsiona a investigação científica é o paradoxo do caráter cientifico dos problemas, teórico ou prático, têm no seu objeto o paradoxo da objetividade. Cabe também ao conjunto da sociedade se apropriar dos conhecimentos e trazê-los de modo prático para a humanidade. Neste ponto a Escola é o caminho para a apropriação do conhecimento, importante na busca da distinção da verdade e da relevância. Neste aspecto a tecnologia é uma das ferramentas de apoio na apropriação de conhecimentos. Uma observação clara a respeito da critica a abordagem metodológica do naturalismo, em que equivocado, Bacon inicia com observações e medidas, coleta de dados estatísticos, indução a generalizações e a formação de teorias. Considera que é errônea, ao declarar que se aproxima do ideal da objetividade cientifica, “uma ciência objetiva deve ser isenta de valores”, comenta Popper (1978. P.17) na tradução de Apio Claúdio Muniz Acquarone Filho (*).

De acordo com Popper (1992. p.80) a estrutura das ciências se organizam, através de metodologias realiza a multiplicação das informações: “premissas de que o explicandum é a conclusão.”

A lógica situacional supõe o mundo físico dotado de outros indivíduos e de instituições sociais, constituídas de realidades sociais que correspondem aos seus objetos. Por conseguinte, há respostas que tentam atender as questões da sociedade. Conforme a tese de Popper (1992 p.85)

As instituições não agem, mas apenas os indivíduos nas ou para as instituições. A lógica situacional destas ações constituiria a teoria das quase-ações das instituições.

Concluímos que cabe aos cientistas, aos homens em geral a solução dos problemas, na busca por teorias que satisfaçam e dominem a lógica do conhecimento para que as transformações propostas sejam implantadas para a humanidade de forma prática, democrática, e enriquecedora.

O processo de retificação discursiva busca uma metodologia de formação que ultrapasse as fronteiras do conhecimento particular e restrito aos detentores do “poder do conhecimento cientifico”. O que proponho é de acordo com a reflexão de Bachelard (1996. p.300):

“O princípio fundamental da atitude objetiva é – quem é ensinado deve ensinar. Quem recebe instrução e não transmite terá um espírito formado sem dinamismo nem autocrítica.”

Nesta lógica, estaremos respeitando o saber, consciente que uma nova metodologia, com a aplicação para a sociedade. Isto se faz necessário para que a “escola”, enquanto local de conhecimentos possa colaborar na construção ou formação do espírito científico. Este novo espaço ideal promoverá a pesquisa, o prazer da descoberta do conhecimento, através do exercício do “apreender a aprender”.

Através de uma transformação da metodologia, no campo prático a Escola tem a oportunidade de através das novas tecnologias, proporcionar a descoberta de novos conhecimentos e através destes estimular os talentos participantes do processo multiplicar seus conhecimentos para outros, seja na esfera escolar, cultural ou comunitária. Quanto a distinção dos erros para alcançar a objetividade é através do processo crítico que leva a aproximação da verdade. A construção do conhecimento esta mais próxima da metodologia empregada inspirada pela lógica de um pensamento crítico, não imediatista. A atitude multiplicadora do conhecimento, não garante a formação do espírito científico. O processo de formação do indivíduo é continuo e permanente, inicia ao nascer, ao tomar conhecimento sobre as relações da vida, suas reflexões permanecem em eterna transformação, vivenciando diversas contradições dos objetos. Descreve Bachelard (1996) sobre a ruptura entre vida e espírito, “o que serve a vida imobiliza-o. O que serve ao espírito põe-no em movimento”. Para Bachelard (1996) as sociedades modernas não integraram a ciência na cultura geral. E “a ciência contemporânea é cada vez mais uma reflexão sobre a reflexão” e, que “se deva construir uma teoria do objetivo contra o objeto. (BACHELARD, 1996 p.307).

Ao considerar que na sociedade contemporânea a ciência não esta integrada, admitimos que nossas escolas não estão cumprindo o papel de construção do conhecimento. Os alunos, segundo o texto de Bachelard necessitam de uma psicanálise do pensamento cientifico. Entretanto, esta psicanálise conduz à idéias com base nas reflexões que será suplantado pela vida, porque o que é útil para o espírito, será útil para a vida, conclui Bachelard (1996. p.308).

As novas tecnologias enquanto ferramentas do conhecimento podem enriquecer o debate, na medida em que elas também são resultado do saber científico. Em especial, considero que a atuação dos alunos no processo de descoberta do conhecimento científico através das ferramentas tecnológicas gera a oportunidade de envolvimento, integrar a ciência a escola, indiretamente também a sociedade a cultura científica. A produção audiovisual, através de suas complexas e múltiplas atividades e conhecimentos pode promover um interesse e despertar os espírito para formação cientifica. No campo prático o levantamento de reflexões através de criação de imagens, áudios, vídeos, pesquisas, entrevistas, textos, interatividades, troca de mensagens, publicações em websites, webforum, entre outros meios disponíveis gratuitos ou não.

É preciso um processo de retificação dos erros, através da quebra de preconceitos, uma ação educadora do espírito cientifico em conformidade com a contemporaneidade da sociedade. Os indivíduos desfrutam de bens que foram criados a partir de grandes esforços do conhecimento cientifico, tanto em tempo quanto em investimentos econômicos e capital intelectual. O desenvolvimento critico do atual estagio social, ainda não desperta nos indivíduos a capacidade de consciência do processo de produção do conhecimento em que esta inserido. Será preciso reinventar uma escola, para transformar a sociedade, admitindo que reinventar a sociedade para transformar a escola. E assim formar o espírito científico.

Popper faz a critica as idéias da teoria de Bacon, que considera “preconceitos, o pensamento teórico científico. (POPPER 1999 p.111). A partir da observação da natureza, Francis Bacon, influencia até hoje o pensamento científico, mas provocou também muitos pensadores com novas teorias contra o observacionismo. Reafirmando a dialética de que “conhecimento é poder.” Karl Popper (1999 p.119) levanta a questão da falibilidade das teorias, visto que são. formuladas por hipóteses ou conjecturas e a certeza de que pode ser refutada”.

Quando buscamos a solução para um objeto problema, deparamos com a possibilidade de conjecturar uma solução passível de crítica. Quando formulamos uma teoria, ela passa pelo princípio da testabilidade. Para fundamentar a tanto a solução quanto a crítica. No desenvolvimento lógico do conhecimento científico abordagem consiste na descoberta a partir de uma hipótese em confronto do problema. Popper considera que o nosso conhecimento amplia quando aprendemos com os nossos próprios erros. Para este argumento devemos propor idéias de soluções do problema, promover uma teoria, hipotético e conjectural, e através da discussão, da crítica das abordagem crítica, poderemos aproximar da objetividade científica, da solução do problema. Entretanto temos que refutar as teorias, democratiza o conhecimento.

Para conquistarmos o desenvolvimento do conhecimento cientifico, de acordo com Popper, (1999 p.122) é preciso que as teorias e as críticas, hipóteses ou conjecturas estejam passiveis de serem testadas (ou falsificáveis), distinguindo-as das não-testáveis (ou não-falsificáveis). A tensão entre o nosso conhecimento e não-conhecimento, saber não-saber, é um paradoxo, o qual impulsiona a produção do conhecimento. A complexidade da sociedade moderna nos impõe desafios que comprometem a qualidade humana da vida. Para compreender e enfrentá-los, podemos dispor de modo prático, como nos indica Popper, que “a única maneira de chegarmos a conhecer um problema é aprender com os nossos erros.” (POPPER. 1999. p.129)

Além da argumentação crítica, Popper propõe uma metodologia para enfrentar o objeto – problema. Através desta metodologia, que consiste em: identificar o problema, tentar resolvê-lo e propor uma teoria. Neste ponto estamos conduzindo para tentativas e erros. E aprender com os erros e através da reflexão crítica diante das soluções experimentais. (POPPER 1999 p.130)

No campo do conhecimento, Popper apresenta o método cientifico: primeiro deparar com o problema, tentar resolvê-lo, propor uma teoria. Aprender com os erros, especialmente aqueles indicados pelas críticas das nossas soluções experimentais. Conforme o autor, a discussão conduz a novo problema (1999 p.130), o que poderá aproximar da solução, utilizado o método “Problemas - Teorias – Críticas.” Para tentar uma solução teórica para o objeto-problema, “ampliar e integrar o conhecimento a cultura da sociedade, acredito que a metodologia esta no uso criativo das novas tecnologias para juntos descobrir e produzir o conhecimento, como um paralelo na produção audiovisual, em que o aluno pesquisa, se enriquece sobre os saberes adquiridos, transforma em novas linguagens e decodifica em novas criações ofertando a rede integradas, ampliando para novos conhecimentos, de uma forma participativa e colaborativa, tanto na interatividade virtual e tecnológica quanto na interatividade humana, real, na solução de problemas, criticas e formulação de teorias e pensamentos científicos.

A responsabilidade humana e social, tanto de cientistas como das instituições cientificas não proporcionam nenhuma emancipação ao homem moderno. O conhecimento acumulado nos tempos atuais mantém a humanidade dependente das estruturas e superestruturas. A democratização do conhecimento, do ponto de vista científico não está aberta à sociedade. O acesso aos meios de produção de conhecimentos, como também implantação das soluções diante dos objetos-problemas, estão ainda distantes da sociedade. E estão mais próximas das soluções econômicas de grupos de interesse do que de instituições ideológicas. Considerando o paradoxo, dos interesse ideológicos econômicos e interesses políticos humanitários. Este confronto pode não atender ao ideal filosófico, mas proporcionará um aumento significativo do conhecimento cientifico, mesmo que ainda não tenhamos a sociedade ou escola democrática ideal na construção do saber. Estaremos sempre críticos para com a sociedade que produz um conhecimento cientifico que nos transforma em escravos modernos da própria sociedade.

Artigo de Armando Mecenas.

PROBLEMAS, TEORIAS E CRÍTICAS


PROBLEMAS, TEORIAS E CRÍTICAS

A humanidade ocidental contemporânea de um modo geral, sob o aspecto filosófico ainda esta influenciada pelas idéias da teoria de Bacon, em resumo, que substituiu “o determinismo teológico pelo determinismo ciêntífico” (POPPER 1999 p.110). Considerando que as conclusões precipitadas, promoveram especulações teorizantes, criando, o que poderíamos chamar de “método das antecipações da mente - preconceitos”. Francis Bacon, considerado o profeta da religião secularizada da ciência, desenvolveu o observacionismo, a partir da especulação empírica da Natureza, contra o pensamento teórico científico. Apoiado pelo dogma da “observação e especulação teorizante”, catequiza idéias de que “devemos purificar as nossas mentes de todos os preconceitos, de todas as idéias pré-concebidas, de todas as teorias – de todas essas supertições, ou “ídolos”, que a religião, a filosofia, a educação ou a tradição possam ter-nos transmitido” (POPPER 1999 p.111).

Com a linha de interpretação imediatista, precipitada sobre o mundo, a partir da natureza, Bacon, resulta na conquista da sociedade científica dominante, tornando-se influente até nossos dias. Embora Bacon, tenha considerado “Conhecimento é poder” e tenha previsto a nova era industrial, (era da ciência e da tecnologia), ao considerar que “graças a ciência, os homens encontrariam a libertação da miséria e da pobreza”, também provocou em outros pensadores novas especulações para negar o observacionismo. Karl Popper considera como resultado da revolução einsteiniana a questão da falibilidade das teorias. Afirma Popper (1999 p.119) que “a moderna visão da ciência – a concepção de que as teorias científicas são essencialmente hipotéticas ou conjecturais e a de que nunca podemos ter a certeza de que até mesmo a mais bem fundamentada teoria não possa ser derrubada e substituída por uma aproximação melhor – é, creio, o resultado da revolução einsteiniana.

“Toda teoria tem que ser refutável, é o princípio da testabilidade. A crítica esta ligada a idéia de testar ( POPPER. 1999 p.123 ).” Para fundamentar a sua crítica, Popper enumera argumentações (teses) contra o observacionismo de Bacon, através de um desenvolvimento lógico, tendo como objeto o conhecimento científico. Nas abordagens desenvolve a idéia que “todo o conhecimento científico é hipotético e conjectural” e que “o aumento do conhecimento e do conhecimento científico em particular, consiste em aprendermos com os nossos erros. Propondo novas teorias pela discussão e exame crítico das nossas próprias teorias. Através de argumentos experimentais - a abordagem crítica – objetividade científica.

Em pontos importantes podemos mencionar que ao refutar nossas próprias teorias – impor-nos disciplina, estaremos aproximando da objetividade científica. E cabe a universalidade e democratização do conhecimento para quebrar o autoritarismo das ciências. De acordo com Popper, (1999 p.122) “Não é a objetividade ou o desprendimento do cientista individual, mas da própria ciência (cooperação amigável-hostil dos cientistas – disponibilidade para a crítica mútua) que constitui a objetividade.” O papel na ciência pelas teorias, hipóteses ou conjecturas torna importante a distinção entre teorias passiveis de serem testadas (ou falsificáveis) e não-testáveis (ou não-falsificáveis).

Em resumo, Popper (1999. p.129) argumenta que a tensão entre o nosso conhecimento e não-conhecimento, gera um aumento cognitivo. Considera que a teoria do conhecimento é um paradoxo entre o choque entre as duas teses: o nosso vasto conhecimento, sobre as sociedades humanas e a nossa ignorância que não tem limites. Popper propõe uma metodologia crítica: enfrentar o objeto – problema, tentar resolvê-lo e levantar hipóteses e conjecturar uma teoria, conduzir para tentativas e erros, criticar as soluções experimentais. Assim considera que aproximará da verdade, da solução, do objeto, ampliando o conhecimento científico, ao aprender com os próprios erros. Popper critica a linguagem do conhecimento das idéias observacionistas de Bacon que propõe a auto-emancipação pelo conhecimento. Segundo Francis Bacon: “o homem pode libertar se através do conhecimento – que pode libertar a sua mente dos preconceitos e do provincianismo.” (POPPER 1999 p.139)

Popper reivindica simplicidade e clareza, para evitar o perigo da especialização estreita, ao comentar criticamente o circulo fechado da ciência, “uma sociedade aberta e uma democracia não podem florescer se a ciência se tornar posse exclusiva de um conjunto fechado de especialistas (POPPER 1999. p.140).” Considerações conforme a análise do texto de POPPER, Karl (1999) O Mito do Contexto. In Ciência: Problemas, Objetivos, Responsabilidades.
Artigo de Armando Mecenas.