É a velha roda do Sol e o sacrifício propiciatório se dirige ao Rei Sol, da mesma forma que sacrifícios humanos e de animais eram oferecidos para a fertilidade da terra. A roda do Sol é uma idéia arcaica, talvez a idéia religiosa mais velha de que se tenha conhecimento. Podemos atribuí-la às era mesolítica e paleolítica, como o provam esculturas da Rodésia. A roda realmente só apareceu na idade do bronze; no paleolítico ainda não fora inventada. A roda do Sol rodesiana parece ser contemporânea de pintura de animais muito naturalísticos, tais como o famoso rinoceronte e os caracaraís, obra-prima de observação. A roda do Sol rodesiana é, portanto, uma visão original, provavelmente a imagem solar arquetípica. Mas tal imagem não é natulaística, pois se encontra sempre dividida em quatro ou oito partes.
Essa esfera de centro dividido é um símbolo que pode ser encontrado ao longo de toda a história da humanidade, bem como nos sonhos dos indivíduos que vivem no mundo atual. Podemos presumir que a invenção da roda originou-se mesmo nesta visão. Muitos de nossos inventos se originam de antecipações mitológicas e de imagens primordiais. A arte da alquimia é a mãe da química moderna. Nossa mentalidade científica partiu da matriz de nossa mente inconsciente.
O homem sobre a roda é a repetição do motivo mitológico grego de Íxion, que por causa de suas ofensas aos homens e aos deuses, fora por Zeus amarrado numa roda que girava sem cessar.
C.G. JUNG proferiu em 1935 na Conferência em Londres (Fundamentos de Psicologia Analítica. 2008 Editora Vozes. 14ª edição. p.34 e 35)
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sábado, 10 de abril de 2010
sábado, 17 de outubro de 2009
A FORMAÇÃO DO ESPÍRITO CIENTÍFICO
REFLEXÕES SOBRE O LIVRO
A FORMAÇÃO DO ESPÍRITO CIENTÍFICO – GASTON BACHELARD
ANALISNADO O Capítulo XII – Objetividade Científica e Psicanálise (I, II e III.)
A FORMAÇÃO DO ESPÍRITO CIENTÍFICO – GASTON BACHELARD
ANALISNADO O Capítulo XII – Objetividade Científica e Psicanálise (I, II e III.)
O conhecimento científico pode ter como ponto de partida o conhecimento sensível. Entretanto, o conhecimento sensível só determina um falso ponto de partida, uma direção errônea. O espírito científico vence os obstáculos epistemológicos e constitui um conjunto de erros retificados. Não há verdade sem erro retificado. Para chegarmos a objetividade científica, “é preciso, aceitar uma ruptura entre o conhecimento sensível e o conhecimento científico” (BACHELARD, 1996). O objeto concreto – como valor – envolve o ser sensível – é a satisfação íntima; não é a evidencia racional. O estímulo formula a primeira objetividade. E o objeto ainda não corresponde a um estado de espírito científico (BACHELARD, 1996. p.294).
Considero que é evidente a dualidade universo e espírito, através da Psicologia do controle objetivo, constata-se que a ciência do solitário é qualitativa e a ciência socializada é quantitativa, em ambas podem apresentar históricos de erros retificados para reunir uma doutrina do conhecimento do objeto (BACHELARD, 1996. p.294, p.297, p.293).
É fundamental tomar consciência de lições de objetividade, com o fim das certezas particulares e gerais. Para estarmos iluminados pelo conhecimento objetivo, temos que dispor de “uma doutrina dos erros normais, que ajudará a distinguir, erro positivo, erro normal, erro útil. Ao longo de uma linha de objetividade, é preciso dispor a série dos erros comuns e normais“ (BACHELARD, 1996. p.298). Através de um processo de retificação discursiva, para que a ciência objetiva seja educadora e o ensino seja socialmente ativo. De acordo com a reflexão de Bachelard (1996. p.300) “O princípio fundamental da atitude objetiva é – quem é ensinado deve ensinar. Quem recebe instrução e não transmite terá um espírito formado sem dinamismo nem autocrítica.”
Para aproximar-nos de um conhecimento objetivo, na perspectiva de uma dialética do real e do geral, surge a necessidade de uma psicanálise da utopia escolar, para promover um processo de estudos da dualidade psicológica da atitude racionalista e empírica. Também do Processo criativo e fundamental para o conhecimento objetivo, para confronto de resistência e incompreensão, impulso e autoridade, assertórico (afirmativo) para o apódictico (demonstrável) (BACHELARD, 1996. p.302).
Conforme pensamento de Bachelard (1996. p.304), considerando que “erro, não és um mal”, “é preciso, pois, evitar o desgaste das verdades racionais que têm tendência a perder a apodicticidade e a tornar-se hábitos intelectuais. É preciso também inquietar a razão e desfazer os hábitos do conhecimento objetivo.”
Através da história cientifica, propiciar ao aluno a capacidade de inventar, descobrir que o conhecimento é uma atitude intelectual. A objetividade psicologicamente, no complexo do conhecimento científico tem que vencer resistências tais como “Alegria suprema de oscilar entre a extroversão e a introversão, na mente liberada psicanaliticamente das duas escravidões – a do sujeito e a do objeto!” (BACHELARD, 1996. p.304). E para a História do Conhecimento Científico, o conhecimento objetivo nunca estará terminado, sempre haverá “fluxo e refluxo do empirismo e do racionalismo“ (BACHELARD, 1996. p.302).
A doutrina do interesse se estabelece ao unir dois contrários, vida e espírito. É construindo a distinção dos contrários, que a psicanálise do espírito científico faz a ruptura da solidariedade do espírito com os interesses vitais. Tal como descreve Bachelard, “o que serve a vida imobiliza-o. O que serve ao espírito põe-no em movimento”, argumenta. Primeiramente é necessário uma reflexão sobre o pensamento científico moderno, que seja resistente à primeira reflexão, que acredita-se com erros retificáveis.
Para Bachelard (1996) as sociedades modernas não integraram a ciência na cultura geral. E “a ciência contemporânea é cada vez mais uma reflexão sobre a reflexão” (1996 p.307), conforme o autor afirma “parece que, no Sec. XX, um pensamento científico é contra as sensações e, que se deva construir uma teoria do objetivo contra o objeto.”
A psicanálise do pensamento científico levam à idéias cientificas e em discussão o cérebro, que já não é considerado instrumento absoluto do pensamento científico (BACHELARD, 1996. p.308). O interesse pelas reflexões do espírito suplanta os pela vida, porque o que é útil para o espírito, será útil para a vida, conclui Bachelard (1996.p.308). Artigo de ARMANDO MECENAS
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