quarta-feira, 2 de junho de 2010

CURSO DE VIOLA - INSCRIÇÕES ABERTAS


CURSO DE VIOLA GRÁTIS EM NOVA VENÉCIA - ES.
PARTICIPE !!!
INSCRIÇÕES ABERTAS
MESTRE VIOLEIRO ZÉ LANDIM

TERÇAS E QUINTAS FEIRAS DE 8 horas às 16 horas.
VAGAS LIMITADAS
MARQUE SUA HORA AULA !!!
INSCRIÇÕES PELO TEL.:27) 9772-8539

PATROCÍNIO:
SECULT-ES, INSTITUTO NORDESTE E CIDADANIA, BANCO DO NORDESTE DO BRASIL, FUNDAÇÃO NACIONAL DE ARTES – FUNARTE, MINISTÉRIO DA CULTURA, GOVERNO FEDERAL para os municípios integrantes da REGIÃO DO SEMIÁRIDO CAPIXABA.

domingo, 18 de abril de 2010

ZE LANDIM E O FESTIVAL DE VIOLA


GOVERNO FEDERAL / MINISTÉRIO DA CULTURA PREMIA PROJETO FESTIVAL DE VIOLA PARA ENCONTRO DE GERAÇÕES JUVENTUDE E MESTRES VIOLEIROS EM NOVA VENÉCIA - ES.
A Juventude e os Mestres Violeiros de Nova Venécia - ES serão homenageados com o Projeto FESTIVAL DE VIOLA. Uma iniciativa dos Violeiros Zé Landim (Mestre) e Rodrigo (Aprendiz), que juntos beneficiarão os jovens interessados neste gênero musical popular.
Através de Oficina de Iniciação Musical em Viola ocorrerá a troca de experiência e será uma oportunidade para o registro histórico da memória musical das gerações tradicionais da Moda de Viola.
Além de promover um encontro de gerações, será promovida a difusão dos talentos através de um encontro não competitivo para reconhecimento dos talentos e aprimoramento de Mestres e Jovens Violeiros.
O Projeto FESTIVAL DE VIOLA objetiva incentivar a implementação de políticas públicas para a juventude em vulnerabilidade social, através de ações de formação continuada para desenvolvimento local. Além de uma oportunidade para a juventude descentralizar a política de fomento da produção sociocultural e artística, possibilitando que artistas, grupos artísticos e produtores tenham incentivos para a realização de seus projetos na Região do Semiárido Capixaba.
O Projeto FESTIVAL DE VIOLA foi premiado nacionalmente pelo GOVERNO FEDERAL / MINISTÉRIO DA CULTURA através do EDITAL PROGRAMA MAIS CULTURA DE APOIO A MICROPROJETOS CULTURAIS, (Regulamentado pelo Decreto nº 6.226, de 04 / 10 / 2007), promovido através da SECRETARIA DE ARTICULAÇÃO INSTITUCIONAL - SAI, Fundação Nacional de Artes – FUNARTE, Programa Mais Cultura, BANCO DO NORDESTE, Instituto Nordeste e Cidadania, SECULT-ES, para os municípios integrantes da REGIÃO DO SEMIÁRIDO CAPIXABA.
As Oficinas serão gratuitas a jovens de 17 a 29 anos, que desejarem trocar experiências com a linguagem da Moda de Viola. O projeto será implantado através de parcerias estratégicas com órgãos públicos, empresas e comunidades organizadas. Em breve com a conclusão das atividades iniciais, serão abertas inscrições para a juventude, com divulgação dos dias, horários e locais. Mais Informações através do Tel.: (27) 9899-8042. (27) 9951-9050. Assistência de Produção e Intercâmbio: Armando Mecenas. ASPROD/02

sábado, 10 de abril de 2010

“Porque falar em Faxina Étnica”


O racismo é uma prática social com efeitos perversos na vida de bilhões de seres humanos espalhados pelos cinco continentes do planeta (sejam povos originários, afro-descendentes, árabes, ciganos, judeus, orientais etc). A prática do racismo é estrutural e apoiada pelo estado e por seu aparelhos ideológicos (meios de comunicação, igreja, escola etc) no sistema social e político capitalista. O racismo brasileiro tem uma face institucional e militar: a faxina étnica. Esta política de faxina étnica define – para negros, “pardos”, “morenos” e “mulatos” – quais são os territórios em que podem viver e a forma como devem viver. Favelas, periferias, subúrbios e alagados não fenômenos que revelam, no território urbano, a unidade entre capitalismo e racismo, entre classe e raça.
O processo de racialização do espaço urbano foi (e ainda é) extremamente violento e complexo. Como primeiro fator, temos a política de extermínio e genocídio que nomeamos de extermínio direto e extermínio indireto. O extermínio direto é materializado nas ações do estado contra moradores destes territórios. É uma violência estatal e não social como a provocada pelo tráfico de drogas. Já, o extermínio indireto ocorre através da morte lenta nas filas dos hospitais por falta de socorro e tratamento adequado, nas enchentes e tragédias naturais causadas pela omissão do estado e da defesa civil, os surtos de dengue e outras enfermidades que incidem majoritariamente na população negra e pobre.
Ambas as formas de extermínio (direto e indireto) tem como base esteriótipos racistas que se reproduzem através destas ações. Quando a polícia do estado assassina um morador de uma favela – ao invés de protegê-lo – diz-se que se tratava de um “marginal” (que é representado como um descartável, ou seja, um elemento anti-social sem condições de ser reintegrado a vida em sociedade). O suspeito-padrão da polícia é negro, “moreno”, “pardo” e “mulato”: não importa como esteja vestido, onde esteja e o seu comportamento – apenas pela cor de sua pele – já é considerado suspeito. Quando não o matam, o constrangem (através da violentas batidas policiais) que tem o objetivo de mostrar ao negro “qual é o seu lugar”.
Por outro lado, as imagens reproduzidas pelos jornais e televisão das filas dos hospitais, dos que morrem por falta de tratamento e atenção, dos que têm suas vidas, móveis e casas totalmente perdidos por catrástofes naturais etc, não causam nenhum tipo de indignação: são naturalizadas. Naturalizar é afirmar que estas tragédias tratam-se de fenômenos que não podem ser impedidos pela ação humana. Estas imagens são relacionadas à tragédia que segue há mais de cinco séculos os afro-descendentes, tomados por uma “coletividade amaldiçoada” que não consegue superar seus problemas por seus próprios esforços.
Por fim, associam-se os territórios de maioria negra à tragédia e a violência como elemento naturais e reeditam o racismo biológico que estabele a relação direta entre cor da pele e comportamento social. O racismo transforma, desta maneira, os problemas sociais e raciais dos moradores das favelas, periferias, subúbios, alagados e bairros pobres – de maioria negra – em problemas de ordem moral, psicológica e biológica. Para comprovar sua tese, o estado burguês e racista tem a necessidade de encarcerar os negros e pobres, ou seja, mostrar ao conjunto da sociedade que, de fato, são elementos perigosos e, por conseqüência, é necessário pôr sobre controle e vigilância permanente os territórios de maioria negra.
Como segunda manifestação da faxina étnica, apontamos o encarceramento em massa da população afro-descendente (em enorme desproporção se comparadas a população branca). As cadeias brasileiras parecem-se enormes navios negreiros, depósitos de carne humana em que se inscreve na pele negra sua associação necessária com o crime. É impossível fugir ao estigma da raça: a prisão é a instituição consagrada para controlar a pressão social e racial do proletariado urbano e rural. Logo, se associa o criminoso ao seu lugar de origem: ele vive na favela, tem amigos na favela, se comporta como um favelado etc. Raça, território e criminalidade confundem-se em uma coisa só: se é negro e favelado, necessariamente é criminoso. Com isso, o encarceramento contribui para definir os territórios negros urbanos: trata-se de uma malha de ruas, casas e barracos que unem negros “marginais” ou em processo de “marginalização”.
Como terceira manifestação da faxina étnica, apontamos as políticas de remoção e despejo. Se uma coletividade negra vive, de forma precária, em uma área valorizada pela especulação imobiliária ou de um novo empreendimento imobiliário, o estado age de forma violenta para expulsá-la deste território. Com isso, empurram os negros para longe do centro e dos bairros nobres, de maioria branca, em que só podem visitar na condição de empregados domésticos ou prestadores de serviço.
Estamos convencidos que, nos dias atuais, de desindustrialização da economia e recolonização do pensamento social brasileiro, em que o imperialismo penetra com mais força e violência em nossa sociedade, o racismo – fenômeno associado a ordem social burguesa – manifesta-se com toda sua intensidade no território urbano.
Para a vanguarda social combativa do movimento negro, dos movimentos populares e forças progressistas, contribuir para politizar o conceito de território negro urbano: ele pode ser uma ferramenta poderosa de afirmação dos afro-descendentes que vivem nestas áreas com o objetivo de fazer um contraponto as representações racistas que associam o território em que vivem à criminalidade, ao vício e a ausência de produção artística e cultural.
Por tudo isso é necessário falar em faxina étnica. Denunciá-la e combatê-la é dever de todos os que se identificam com o povo negro e suas aspirações de liberdade e reconhecimento coletivo. Para nos contrapormos a este processo de faxina étnica é necessário um conjunto de políticas públicas que tenham como marco uma cidade racialmente mais justa e integrada. Enquanto, nos centros urbanos de nosso país, pequenas faixas do território urbano, de maioria branca ou totalmente branca, monopolizarem os equipamentos públicos (melhores escolas, hospitais, centros de comércio, lazer, recreação, produção e difusão cultural) em detrimento da enorme massa negra desasistida e esparramada em territórios em que o único equipamento público é uma unidade da polícia, estaremos muito longe de solucionar este problema.
Autores: Gilberto Batista Campos e Marco André.